segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dizer que gosta

Nada de irromper palavras calorosas de amor eterno ou o caralho emotivo e frágil. Falo de boa convivência.

Pegar ônibus com motorista de cara-de-pé-de-repolho-molhado e cobrador de mau humor encheria o saco até da estimada Madre Teresa de Calcutá, que jesusinho a tenha. Assistir apresentações mal elaboradas de colegas burros de faculdade é mais desestimulante e irritante do que namorado impotente.

Na categoria dos mais chatos do mundo incluo – nada parcialmente – também, os chefes, os funcionários de telemarketing, os apresentadores de tevê estilo Márcia ou Sônia Abrão e as mulheres que querem discutir futebol sem saber, ou pior, ir ao estádio dar gritinhos.

Mas como eu destacava, meu texto não é sobre gente importuna, tampouco. É sobre a grandiosidade de ser legal, é sobre a finura da boa convivência, essenciais para o cotidiano de quem vive cercado pelos figurões já citados acima.

A coisa mais fabulosa da pós-modernidade é ter a liberdade de verbalizar e repartir alegrias com aqueles que nos rodeiam. Como no ônibus, por exemplo, quando o cobrador canta, conhece todos os passageiros, cumprimenta e dialoga. Traz até sanduichinho (trecho fictício). O motorista também brinca e, os dois juntos, tornam o desprezível sacolejo diário uma alegria matinal. Um filme de horror medium class, porém necessário.

Minha vontade era de caminhar até o início do ônibus, na mesinha do cobrador, e dizer que ele ajudou a minha manhã a ser melhor. Claro, isso seria demais. Mas tenho certeza que ele recebeu a energia positiva que eu emanei após descer do coletivo na parada errada.

Missão para os próximos dias: dizer para as pessoas estimadas o quanto sua companhia é boa, o quanto a apresentação na faculdade foi interessante, o quanto é bom ter vida inteligente na terra, o quanto o auxílio nas tarefas do trabalho é importante para você e o quanto cada uma dessas pessoas são boas. Todo mundo gosta de saber que serve para alguma coisa ou que pelo menos é útil para melhorar o dia de algum pobre coitado de bem com a vida.

Porquê tanto? Porque o bom humor é o novo preto e a boa convivência está mais do que na moda.

Um comentário:

alice disse...

Adorei o textoooo!! Continua escrevendo maravilhosamente bem! beijo!!!